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quinta-feira, 24 de março de 2011

Entrevista com o Guro Maurício Viegas

Olá pessoal! Hoje estamos postando uma entrevista realizada com o Guro Maurício Viegas, da escola Arnis Kali Maharlika. Guro Mauricio é faixa-preta em FMA, aluno direto do mestre "Dada" Inocalla, e autor do livro que conta a história da sua escola.

1- Olá Guro Maurício, Muito obrigado por nos conceder essa entrevista! Você poderia nos falar um pouco sobre você?

Olá Tales!Nasci no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, onde passei toda a minha infância.Mudei para Brasília aos 14 anos de idade.Hoje sou Bacharel em Direito e Agente de Segurança do Poder Judiciário da União.Ministro treinamentos na área de Segurança e Inteligência para profissionais de diversas instituições, em vários estados do Brasil.

2- Nos conte como foi o seu início com as Artes Marciais?

Comecei a praticar ainda no Rio de Janeiro.Recentemente, folheando um ábum antigo, encontrei uma foto onde minha mãe colocava em minha cintura uma faixa amarela de Judô. Eu devia ter uns 7 ou 8 anos de idade... Ainda na infância também treinei Karatê, Jiu-Jitsu e Kung Fu.Mais tarde, já em Brasília, treinei Aikidô com o professor Carlos Vilablanca (Instituto Bodhidharma) e Capoeira com o mestre Polêmico (Grupo Meia Lua). Também sou praticante de Tiro desde 2001.

3- Como foi sua aproximação com o FMA?

Tales, vou precisar recuar um pouco no tempo... Quando eu ainda era garoto, no Rio de Janeiro, fui escoteiro por alguns anos. Lembro-me que na antiga carteira da UEB (União dos Escoteiros do Brasil) havia uma pequena menção nos autorizando a portar facas em todo o território nacional. Ostentávamos as nossas lâminas com orgulho na cintura, durante as caminhadas e acampamentos que fazíamos. Nessa mesma época ganhei a minha primeira faca, a qual foi forjada por meu avô, que era sertanejo e caçador.Em 1999, já em Brasília, me voluntariei para a Cruz Vermelha Brasileira – Filial Brasília, a qual, àquela época, era sediada no Departamento de Saúde da UnB.Em razão de minha experiência como voluntário da Cruz Vermelha, consegui uma vaga para participar, em março de 2000, do Estágio de Sobrevivência na Selva do CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva), unidade de elite do Exército Brasileiro, situada em Manaus.Neste curso tive a oportunidade de observar, durante uma demonstração informal, algumas técnicas de uso da faca para o silenciamento de sentinelas. Voltei para Brasília com outra visão sobre o emprego da faca, e quis aprender tudo o que fosse possível sobre o manejo dessa ferramenta.Até esse momento, vale dizer, eu não tinha a menor idéia do que fosse FMA.Salvo engano no ano seguinte, em 2001, fiquei sabendo que seria promovido o primeiro Salão de Cutelaria de Brasília, no Hotel Nacional, e que, neste curso, haveria uma oficina de Combate com Facas, ministrada pelo Sensei Ricardo Nakayama. Obviamente, participei do evento e, desde então, tornei-me praticante do MSD – Método Sotai de Defesa.Algum tempo depois, já ciente de que existiam algumas Artes Marciais, oriundas das Filipinas, que se destacavam no emprego de facas e outras armas em combate, passei a pesquisá-las de forma mais específica, e descobri que aqui mesmo em Brasília havia uma academia, fundada por um Filipino, que ensinava essas técnicas aos seus alunos...Foi desse modo que me aproximei das Artes Marciais Filipinas e do mestre Dada Inocalla.

4- Sua aproximação com o mestre Inocalla, como aconteceu?

Bem, acho que essa pergunta foi respondida no item anterior.Contudo, é importante dizer que com o mestre Inocalla aprendi muito mais do que as conhecidas técnicas filipinas de combate. Aprendi um modo diferente de ver o mundo, a vida e as pessoas.O mestre Inocalla, também conhecido como “Dada” por seus alunos e amigos, foi monge durante muitos anos, e até hoje aplica em sua vida os princípios milenares da Filosofia Taoísta.Lembro-me de uma vez em que estávamos, eu e o Dada, fazendo uma apresentação de Arnis para um canal de TV. O apresentador, visivelmente espantado com a quantidade de vezes em que fui projetado ao solo, comentou: “Parece que nessa modalidade é muito importante que os praticantes saibam cair, não é mesmo?”, ao que o Dada prontamente respondeu: “Sim, é verdade. Deve saber cair, e deve saber levantar.”Talvez o apresentador não tenha percebido, mas ele acabara de dar uma grande lição de Taoísmo...

5- Além do Arnis Maharlika, você também é instrutor do SOTAI. Como ambas disciplinas se complementam?

Interessante essa pergunta.Em primeiro lugar, embora treine tanto o combate armado quanto o combate desarmado, a filosofia da SOTAI fundamenta-se no uso de armas em combate. As armas são equalizadores, ou seja, nivelam o lutador mais fraco ao lutador mais forte.Acredito que muitos se lembrem do caso de um famoso lutador que, ao tentar roubar uma moto, foi impedido pelo motociclista que usou o próprio capacete para se defender... Essa é a idéia.Como as Artes Marciais Filipinas também enfatizam o uso de armas, a associação me parece inevitável.Existem outros pontos de contato, mais sutis. Como você sabe, as Artes Marciais Filipinas nasceram da necessidade de sobrevivência de um povo, ante à dominação estrangeira. E sobrevivência é o objetivo maior da SOTAI. Diga-se de passagem, o “S” que aparece em seu nome significa exatamente isso: Sobrevivência.

6- Como você vê a questão da Defesa Pessoal e o FMA?

Como eu dizia na resposta anterior, visualizo a questão da Defesa Pessoal sob a ótica da Sobrevivência.Nas Artes Marciais Filipinas, já nas primeiras aulas, pelo menos no Arnis Maharlika, aprende-se que o ideal é evitar o confronto. Para praticantes de algumas modalidades, isso pode ser interpretado como um ato de covardia. Para nós, é estratégia de sobrevivência. Nunca subestimamos nossos inimigos.Depois, aprendemos que, em alguns casos, a melhor opção pode ser – literalmente – correr. E é preciso saber como fazer isso... Quantas vezes os mandirigmas (guerreiros filipinos) não precisaram fugir dos seus agressores e se esconder nas matas... Permanecendo vivos, podiam continuar protegendo suas famílias, suas tribos e a sua Terra!Contudo, se o confronto for inevitável, aprendemos também a lutar usando toda a “energia” do nosso corpo e do nosso espírito.Trata-se de uma verdadeira mentalidade de sobrevivência.Penso que esses princípios, forjados ao longo dos séculos pelos guerreiros filipinos, possam ser perfeitamente aplicados às atuais situações de Defesa Pessoal, guardadas, evidentemente, as devidas proporções.

7- Sobre o seu livro, de onde surgiu a idéia de escrever esse material?

Quando me tornei Tagapagsanay (instrutor de FMA), percebi que muitos Baguhans (alunos iniciantes) tinham dificuldades em assimilar termos e expressões em Tagalog (idioma falado nas Filipinas).Inicialmente, pensei em escrever um pequeno glossário, que seria divulgado apenas internamente, em nossa academia. Aos poucos a idéia foi tomando corpo. Acrescentei algumas posturas, os 12 ângulos de ataque, a história do Arnis Maharlika... E o glossário se transformou em um pequeno guia para os alunos iniciantes.

8- Qual a maior dificuldade no trabalho de escrever?

Tales, eu sou um perfeccionista por natureza. E isso é um problema. Eu nunca achava que o texto estava pronto... Certamente, se eu for ler o texto outra vez, vou continuar achando que ainda não está bom...

9- Hoje o livro se encontra disponível para download no site do Sotai. Há algum motivo maior para a disponibilização dessa maneira? Ainda é possível conseguir a versão impressa?

Quando o livro foi publicado, em 2008 pela editora Ícone, foi feita uma tiragem pequena, destinada apenas aos alunos da academia e mais alguns amigos.Depois, quando já estava esgotado, comecei a receber emails de praticantes de outras modalidades querendo comprá-lo. Como, na época, a Academia Magka-Isa estava sem um site oficial, decidi disponibilizá-lo gratuitamente para download no site da Sotai.No momento não é possível conseguir uma edição impressa desse livro, pelo fato de que ele está esgotado desde 2009. Mas estou planejando publicar uma segunda edição, revisada e ampliada. Os antigos Baguhans treinaram com afinco, e hoje seus golpes estão rápidos, potentes e precisos... Chegou a hora de avançarmos um pouco mais nesta seara.

10- Há planos para outros livros no futuro?

Sim. Tenho planos para mais dois livros. O assunto que será abordado por esses outros dois livros eu até já comentei aqui, em minhas respostas... Mas, por hora, isso é tudo o que posso dizer!

11- Muito obrigado pela entrevista! Você gostaria de deixar uma mensagem para os nossos leitores?

Gostaria sim.Deixo aos leitores um convite para que venham conhecer as Artes Marciais Filipinas. Existem academias em Brasília, no Rio, em São Paulo...Para os que não praticam nenhuma Arte Marcial, é uma excelente alternativa para começar a treinar.Para aqueles que já praticam alguma modalidade, trata-se de uma possibilidade única de complementação daquilo que já aprenderam, principalmente no que tange ao manejo de armas.Maraming Salamat!

2 comentários:

  1. Excelente repostagem. Meu nome é S. Tavares e sou Agente Penitenciário no DF. Conheço o Maurício Viegas há cerca de 15 anos. Afirmo com toda a tranquilidade que ele é a figura do Guerreiro Moderno. Onde os preceitos de honra, profissionalismo e determinação, estão muito bem representados. Não tenho conhecimento de algo que ele tenha feito e não tenha se destacado. É uma grande alegria poder figurar no rol daqueles chamados de "amigo" por esse grande mestre das artes de luta e sobrevivência. Um forte abraço Guerreiro!

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  2. Um verdadeiro lobo alfa.

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