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quarta-feira, 5 de março de 2014

As "desconhecidas" Artes Marciais Filipinas - Parte V


Artigo originalmente publicado em: http://aminkali.blogspot.com.br/2014/02/as-artes-marciais-filipinas-parte-5.html?spref=fb

As "desconhecidas" Artes Marciais Filipinas - Parte V COM AS MÃOS VAZIAS


As férias editoriais acabaram. Iniciamos nossas atividades no blog com este texto, escrito por um grande estudioso e, sem dúvida,  um dos mais destacados e ativos expoentes das Artes Marciais Filipinas no Brasil, o Professor  Tales de Azevedo (Arnis Maharlika), que agora nos honra com sua contribuição.

"Olá pessoal, hoje vamos continuar o nosso estudo sobre as artes marciais filipinas, e dessa vez vamos falar sobre mãos vazias, afinal não só de armas de vive uma arte marcial.

A grande maioria das escolas de arte marcial filipina inicia o seu treinamento com o bastão de rattan por um motivo bem simples: ele é uma ferramenta pedagógica que permite a aprendizagem e a assimilação de uma série de técnicas e conceitos que podem transpostas para outras ferramentas e objetos. Essa transposição não é literal nem total, mas serve de base para facilitar esse processo da passagem de conhecimento.

Jab, direto, cruzado, upper, low kick, side kick... Hoje o vocabulário dos praticantes de arte marcial é recheado com diversos nomes e técnicas de socos, chutes, pontapés e etc. Devido ao seu caráter plural, até mesmo pela formação dos diversos professores que temos no Brasil e no mundo, não é difícil encontrar a prática de conceitos de combate originados em outras marciais na pratica em academias. Isso não é ruim, mas é importante sabermos o que é natural da arte e o que foi adicionado.

Tão comum quanto o rattan, são os ataques. Algumas escolas possuem 8, outras 10, 12, 18... não importa a quantidade! Os ataques são bem populares, tanto quanto normalmente os ataques 1 e 2 são golpes diagonais da região superior direita para inferior esquerda ou superior esquerda para inferior direita. Um erro comum entre alguns desavisados é imaginar que o combate desarmado das artes marciais filipinas seja transpor literalmente todos os ângulos de ataque com bastão para as mãos vazias. O resultado quase sempre acaba sendo a aplicação de socos que se fossem feitos “pra valer” no mínimo quebrariam a mão de quem os estivesse aplicando (e levaria um pugilista que assistisse a gargalhar).

Como a maioria de vocês sabe, as Filipinas são um arquipélago de ilhas, governado até finais do século XIX pelos espanhóis. Após uma década de lutas, a independência se ergueu como o sol sobre as ilhas, até ser novamente ofuscada. Derrotada em sua guerra contra os EUA, a Espanha entregou o controle do arquipélago aos americanos como espólio de guerra. O governo interino até então presente nas Filipinas, não foi capaz de promover o trabalho diplomático de reconhecimento do país. Assim os filipinos sentiram no início século XX a mudança de colônia espanhola para protetorado americano.

Os americanos trouxeram consigo uma abordagem diferente dos espanhóis. Ginásios, instituições de lazer, escolas, bases militares e o YMCA – ou ACM, como nós conhecemos aqui no Brasil. Os americanos buscaram não apenas ocupar o território, mas se fazer presente entre o povo filipino. Uma possível mostra dessa diferença na abordagem pode ser encontrada no fato de que o espanhol hoje é esquecido nas filipinas (se resumindo a utilização de alguns nomes próprios) enquanto o inglês é quase que uma língua comum.

Você já ouviu falar de Emmanuel Dapidran Pacquiao, ou de Manny Pacquiao? Com certeza que sim! O “Pac-Man” ganhou 55 das 62 lutas profissionais de boxe que disputou até novembro do ano passado. Quando ele lutava as Filipinas paravam para assistir, pois de todas as inovações que os americanos trouxeram, o boxe foi uma das mais populares.

Inicialmente o boxe era restrito aos quarteis das forças armadas americanas. Não demorou para que campeonatos internos surgissem, permitindo acesso dos locais que assistiam, e gostavam!  Surgiram os lutadores favoritos, as premiações e as apostas! Serviço Militar + Apostas é uma combinação explosiva. O governo local passou a regulamentar locais fora dos  quarteis para a realização lutas de boxe, o que permitiu o ingresso de locais na prática e que serviu de argumento para a reabertura dos “fencing clubs” dedicados à prática marcial tradicional, que hoje conhecemos como FMA.

Boxe é um esporte de contato, mas seus princípios e métodos serviram de base teórica o panantukan, sikaran, suntukan, pangamut entre outros nomes, utilizados para designar modalidades específicas do combate desarmado, i.e. utilização de socos, chutes, projeções, etc.

É isso pessoal! Espero que essa breve apresentação tenha sido interessante. Quaisquer dúvidas fiquem a vontade para comentar aqui na postagem. Um abraço, até a próxima e mabuhay!"

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