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quarta-feira, 6 de março de 2013

Entrevista Guro Tales Azevedo


1- Olá! Obrigado por nos ceder a essa entrevista. Você poderia nos contar um pouco sobre o seu começo com as artes marciais?

Olá pessoal! Comecei nas artes marciais ainda garoto, treinando judô com o sensei Nilton Silva. Durante a adolescência passei por outros estilos, mas sem grandes conquistas. Apenas anos mais tarde que iniciei minha prática no boxe, onde tive o prazer de conhecer e treinar com os mestres Vicente e Kanela, e conheci as artes marciais filipinas.



2- Sobre o FMA, como você conheceu essa modalidade? Como foi o seu início e o que despertou o seu interesse?

O que me chamou a atenção no FMA foi a utilização de lâminas, sua versatilidade e a grande preocupação com a aplicabilidade no dia a dia. Passei por alguns professores, até chegar ao guro Davide Lupidi, com quem tive a oportunidade de treinar Kali e esgrima italiana tradicional



3- Sobre o Arnis Maharlika, como aconteceu a aproximação com essa escola?

Infelizmente o professor Davide precisou regressar para a Itália. Nessa época eu e alguns amigos mantínhamos um grupo de treinos regular. Sem um professor para direcionar nosso treino, pensamos em uma alternativa. Foi nessa época que um dos praticantes desse grupo, o Eduardo, se recordou de um mestre Filipino que ele trocara correspondência anos atrás. Entramos em contato com esse mestre, que por caso era o mestre Dada Inocalla, e promovemos um seminário privado e iniciamos uma parceria. Felizmente, devido a questões do meu emprego, eu precisei viajar diversas vezes para Brasília, o que eu usava para treinar com ele. Algumas vezes eu viajava para Brasília ficando de um final de semana, até uma semana inteira. Treinando, treinando e buscando subsídios para continuar o trabalho aqui na cidade.



4- Como tem sido o trabalho do Arnis Maharlika aqui no Rio?

Tem sido de muita luta (risos)! Brincadeiras a parte, o Rio de Janeiro se tornou uma cidade complicada para se iniciar um projeto. Os espaços da cidade são disputados nos menos centímetros, e você conseguir apoio e autorização para iniciar o ensino de “uma luta exótica com bastões” é difícil. Em alguns instantes a rotatividade de alunos também chegou a assustar, mas com o passar do tempo é fácil notar que alguns que se vão de fato não voltam, enquanto outros apenas necessitam de breves pausas para melhor assimilação e engajamento na arte. Felizmente pude contar com a ajuda do meu amigo Paulo Pereira, que é instrutor comigo no KaliRio, para enfrentar essas barreiras e obstáculos.



5- Sobre o projeto KaliRio, você poderia falar a sua história?

Claro! Originalmente o KaliRio seria um site, ou melhor, um blog de notícias. Essa ideia também veio do Eduardo (risos). Ele começou o site na cara e na coragem, buscando material, fazendo postagens e etc. Vendo a ideia eu me ofereci para ajuda-lo, e juntos fomos buscando contatos, layouts e etc. Infelizmente depois de um tempo o Eduardo precisou se afastar, e acabei ficando sozinho com o site. Trabalho, trabalho, trabalho. Conversando com um mestre aqui, um instrutor ali, um aluno acolá o site foi crescendo, crescendo, crescendo que quando eu vi... boom! Já não era mais um site que falava só sobre Kali e só sobre o Rio. Assim, surgiu o site Arte Filipina, como um atualização do KaliRio. Com essa mudança o KaliRio se tornou não um projeto de notícias, mas um grupo de treino.



6- Qual a proposta do KaliRio e quais os planos para o futuro?

Hoje o KaliRio busca oferecer aulas de FMA (Filipino Martial Arts- Kali, Arnis, Escrima) e disciplinas associadas em diversos pontos da cidade e do estado do Rio. Somos dois instrutores, eu de Arnis e Tai Chi Maharlika, e o Paulo Pereira, de Jun Fan Jeet Kune Do e Inosanto LaCoste Kali. Buscamos ainda promover eventos de arte marcial na cidade. No ano passado organizamos eventos com o mestre Dada Inocalla, mestre Ricardo Nakayama e com sifu Edmarcio Rodrigues e esse ano já temos um grande evento marcado com o sifu Salem Assli!



7- E o Arte Filipina?

O Arte Filipina tem como proposta ser um ponto neutro de informações entre diversas escolas e segmentos! Felizmente fomos bem recebidos por diversas escolas que abriram os braços para nós, nos apoiando e nos enviando material. Além disso o site ganhou colaboradores, que ajudam na obtenção e organização do material a ser postado. Durante esses anos, alguns nomes merecem agradecimento, com o Dada Inocalla, guro Nakayama, sifu Edmarcio, guro Leandro, guro Ricardo, guro Waldevir, guro Karl entre tantos outros.



8- Você possui formação como professor de história e já lançou dois volumes sobre assuntos relacionados as Filipinas – como você relaciona esse trabalho e o ensino do FMA?

É importante para o praticante conhecer a terra que originou a sua arte. Filipinas e Brasil são geograficamente distantes, mas culturalmente possuem muita coisa comum. Minha intenção com o livro foi o de levar essa informação aos praticantes, ajudando a quebrar alguns mitos que prejudicam a difusão e o ensino do FMA no Brasil. FMA não é uma arte da idade da pedra feita por selvagens. FMA é uma arte nova, criada a pouco mais de um século para fins específicos. É preciso conhecer, entender e pesquisar para que possamos evitar algumas barbaridades que vemos sendo praticadas aqui no Brasil em cima da ignorância alheia.

O segundo volume que eu lancei foi um pocket book, tratando sobre um tema bem específico, que foi o Katipunan – uma sociedade secreta das Filipinas, que nasceu no seio da maçonaria, e que lutou pela independência do país. É um livro que serve não só para os praticantes de FMA, mas também para os maçons.

Espero que esses livros ajudem outros instrutores e professores a escreverem sobre o assunto. O pioneiro no país foi meu amigo, guro Mauricio Viegas, que lançou um livro sobre FMA – hoje infelizmente esgotado. De qualquer maneira, faço coro aos que hoje pedem a ele uma segunda edição do livro, assim como para que outros coloquem mãos a obra e nos ajudem a aumentar a produção literária brasileira sobre FMA.



9- Qual a sua visão do FMA hoje aqui no Brasil?

Nos últimos 2 anos o cenário do FMA cresceu bastante! Temos novos grupos e professores que estão preocupados em fazer a cena crescer! Eventos, seminários... e o mais importante, em harmonia! Não existe espaço para “meu fma é melhor que o seu”. Isso é besteira! Precisamos todos nos unir, para expandir e aumentar o número de praticantes no Brasil. Felizmente vejo que isso está acontecendo e espero que nos próximos anos a cena continue a prosperar.



10- Muito obrigado por suas respostas! Gostaria de deixar uma mensagem para os nossos leitores?

Pessoal, muito obrigado pela oportunidade! Aqueles que desejarem podem adquirir meu livro atráves do site do Clube dos Autores. Os que desejarem saber mais sobre aulas de FMA no Rio de Janeiro, basta acessar o site do Kali Rio. No mais, continuem visitando o Arte Filipina e fiquem por dentro de todas as novidades. Mabuhay!

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