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domingo, 20 de janeiro de 2013

Entrevista Guro Alessandro Lucas


1- Olá! Obrigado por nos ceder a essa entrevista. Você poderia nos contar um pouco sobre o seu começo com as artes marciais?
As artes marciais sempre foram muito fortes na minha vida, comecei a praticar com nove anos de idade por incentivo de meu pai que era lutador de luta livre, e hoje são 31 anos de paixão pela arte. Minha trajetória começou na arte do Karate Shotokan, onde graduei faixa preta 1º Dan, a partir daí me senti atraído pelas lutas de contato, quando em seguida conheci o Karate Kiokushin, praticando durante algum tempo e atingindo a faixa marrom.
Posteriormente conheci o Hapkido, uma arte marcial Coreiana a qual fiquei encantado pelo repertório técnico de chaves articulares, chutes, socos e movimentos circulares que podem derrubar um oponente bem mais forte, usando o mínimo de força. Notei que este é um sistema efetivamente defensivo e realístico, e iniciei meus treinamentos com o Mestre Alexandre Gomes, o qual treino até hoje, atingindo o grau de faixa preta 6º Dan.
Paralelamente ao Hapkido pratico outras artes marciais: sou faixa preta 1º Dan em Haedong Kundo (arte marcial Coreiana da espada); Jiu Jitsu Brasileiro, onde sou Faixa Roxa 1º grau; e Instrutor em treinamento de Arnis Kali Maharlika, do Mestre Dada Inocalla.



2 - Sobre o FMA, como você conheceu essa modalidade? Como foi o seu início e o que despertou o seu interesse?
Sempre tive uma tendência muito forte com armas marciais, e também por intermédio de meu pai comecei a colecionar facas, apaixonando-me pela técnica da arte de “perfurar e cortar” (Percor). Foi então que comecei um estudo aprofundado sobre técnicas com lâminas, descobrindo que o combate com facas surgiu na Coreia, onde tive a oportunidade de viajar algumas vezes, aperfeiçoando-me no sistema Coreano de combate com facas. Neste estudo incansável pela faca, descobri algo incrível, uma tabela criada por israelenses que apresentavam com precisão nas principais artérias e veias de grosso calibre, denominada (tabela da morte). Fascinado pela tabela, decidi aprender a técnica e seus segredos, com um amigo  que serviu nas fileiras do exercito de Israel. 
Encantado por lâminas, tive a oportunidade de conhecer o Mestre Ricardo Nakaiama, que vive em São Paulo. Ricardo é uma autoridade na arte do percor, tive o prazer e honra de ser instruído por ele, dando então os primeiros passos em direção a Filipino Martial Arts. Aprendi muito com o Mestre Nakaiama, e agradeço pelos seus preciosos ensinamentos. Posteriormente, devido minha profissão, viajei muito para Argentina e em uma destas viagens conheci Nicholas Wachiman, Guru em Kali; unindo o útil ao agradável, treinei com Nicholas em minhas viagens a  Buenos Aires.
Meu mestre de Hapkido, Alexandre Gomes, viajou para participar de um seminário com os Mestres Herbert “Dada” e Shinshir Inocalla em Brasília. Retornando do seminário e sabendo da minha paixão pelas artes Filipinas, recomendou-me ao Mestre Dada, que tive a oportunidade de conhecer e treinar, representando atualmente o Arnis Kali Maharlika (Inocalla System) no Estado do Rio Grande do Sul.

3- Você é dos grandes nomes do Hapkido brasileiro. Você poderia nos falar um pouco sobre?
Praticante de Hapkido há muitos anos, tive a oportunidade de treinar com grandes nomes mundiais, como Dojunin Ji Han Je - Coreia (fundador do Hapkido), Gran Mestre In Su Seo-Coreia, Gran Mestre Jonh Pelegrine - EUA, Gran Mestre Sergie Baubil - Canada, e a oportunidade única de treinar no Monastério Budista nas Montanhas da Coreia do Sul a arte marcial dos Monges, chamada Sunmudo. Minha busca pelo aperfeiçoamento em tudo que faço sempre foi incansável, e por isso participei de vários campeonatos, consagrando-me campeão estadual, interestadual, Brasileiro e Bi-campeão Mundial na Coreia do Sul. A partir do Hapkido e minha experiência na segurança pública, desenvolvi um sistema realístico e efetivo de defesa pessoal policial, minimizando riscos e tornando a técnica uma ferramenta facilitadora para atuação policial nos dias atuais.

4- Você enxerga pontos de tangência entre ambas as modalidades?
Ambas são artes de defesa pessoal 100% realistas e efetivas, trabalham tanto de mãos vazias como com armas, porém o diferencial é que o Kali utiliza quase que em sua totalidade as armas, quando o Hapkido utiliza de armas em graus mais elevados. Diria que uma arte complementa a outra ou que o domínio das duas tornar o praticante uma autoridade em defesa pessoal realista, um praticante completo.

5 - Você poderia nos falar um pouco sobre o seu trabalho com o Arnis Maharlika? 
Representante oficial no Rio Grande do Sul do Arnis Kali Maharlika de Mestre Dada Inocalla, atualmente trabalho espalhado pelos quatro cantos do Rio Grande do Sul, em aproximadamente seis cidades, com professores responsáveis e comprometidos ao Inocalla System. No RS, nosso trabalho esta em fase inicial, mas com perspectivas de atingirmos o dobro de cidades já em 2013. Também planejamos para este ano um segundo seminário e exame de faixa no Estado, com a presença de Mestre Dada Inocalla, e estamos organizando um grupo para viajarmos junto com Mestre Dada para o campeonato nas Filipinas, que acontecerá em 2014. Esperamos que com o espírito de união e harmonia (característica marcante nas Artes Marciais Filipinas), possamos fazer com que os Estado do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, faça do Arnis Kali Maharlika uma arte de excelência na América Latina.

6- Você acredita que as Artes Marciais (Arnis, Taijiquan, etc) podem ser utilizadas como ferramenta de educação e transformação pessoal?
As “artes” e “marciais” (de Marte, Deus da guerra) são duas palavras que a primeira vista parecem não combinar. A primeira expressa a criatividade, a conexão com a estética, a graça, harmonia e equilíbrio. Já a segunda representa a luta, força, supremacia e poder.
É intrigante como podem andar juntas, tornando-se uma mistura perfeita. É isso que as pessoas sentem quando veem uma demonstração destas artes, que nelas há um encontro profundo da plástica com a força da perseverança, com a habilidade da disciplina com a intuição.
O mágico de tudo isso é que estas sínteses acontecem em uma pessoa, no corpo, mente e espírito, que é o tripé da sustentação humana. Por este motivo não só podem ser utilizadas como ferramenta de educação, mas também como reeducação, filosofia de vida e estilo de vivência de bem-estar e harmonia com todos os seres. Falo isso com propriedade, pois sou prova viva desta magnífica transformação, como também muito de meus alunos foram transformados, tornando-se pessoas melhores. Hoje não me vejo apenas como um Mestre de artes marciais, mas alguém que tem obrigação de ser um construtor social, uma pessoa que ensina muito mais do que chutar e socar.

7- E sobre a relação entre as artes marciais e a questão da defesa pessoal? O que você pensa a respeito?
Acho este assunto um pouco polêmico, tendo em vista que muitos praticantes defendem que “aquela ou esta” arte marcial é melhor para defesa pessoal. Com minha experiência em arte marcial e agente ativo na segurança pública, tenho a preocupação constante quanto ao tema, pois os instrutores, professores ou mestres devem ter responsabilidade quanto aos ensinamentos de emprego das técnicas de defesa pessoal urbana.
Nos dias de hoje a violência assola as ruas e não nos permite “errar pequeno”, e por este motivo não temos o direito de causar uma falsa ilusão nas pessoas que estão aptas a reagir a uma possível agressão, pondo em risco o bem mais valioso que é a sua vida. Os pseudos instrutores, aventureiros da defesa pessoal “realista” usam o poder da falácia  para convencer pessoas ingênuas e desavisadas que seu método é imbatível.
Como podem querer ensinar ou preparar pessoas a vencer os perigos urbanos se mal o conhecem? Estes instrutores acabam passando para seus alunos a falsa ilusão de que é possível dominar um delinquente ou criminoso, que na maioria das vezes esta portando faca ou arma de fogo ou ainda pior, estando sobre efeito de entorpecentes. Uma grande mentira, que põe em risco a vida de pessoas de bem. 
Aconselho sempre meus alunos a não reagir, a menos que não exista situação de risco de morte. Para reagir, tenho que ter plena consciência de que meus reflexos, físico e psicológico estão preparados para responder de forma rápida e segura qualquer situação de vulnerabilidade. 

8- Qual o cenário que hoje você enxerga, dentre os praticantes de FMA? 
O Filipino Martial Arts (FMA) no Brasil, embora relativamente novo, tem grande probabilidade de conquistar um lugar de destaque no tocante defesa pessoal. Este sistema é mais do que apenas um método, um conceito ou um estilo, é um sistema completo, que tem grande probabilidade de explodir no país. Porém se faz necessário à união dos praticantes, na defesa de uma única bandeira, a do FMA.

9- Muito obrigado pela entrevista! Você gostaria de deixar alguma mensagem para os nossos leitores? 
Gostaria de esclarecer alguns benefícios das artes marciais em nossas vidas. A arte marcial é um caminho que se trilha tanto fora, na sua expressão; quanto dentro, no desenvolvimento pessoal de seu praticante; e este é o seu maior magnetismo. Devem ser praticadas para vencer o inimigo interno, nossas limitações, angústias e medos, tornando-se como remédio imprescindível para a cura das doenças do dia a dia. A arte marcial praticada com sabedoria possibilita o ser humano chegar a vivência do todo, experimentando a totalidade do seu ser em níveis psicológico, físico, social e espiritual, promovendo seu crescimento como pessoa. Desde muito novo pratico artes marciais, mas a cada dia, a cada treino, me apaixono pela essência das artes, que é a sabedoria, força e beleza que tem como objetivo o desenvolvimento integral do ser humano.


Para conhecer a representação do Arnis Maharlika no Rio Grande do Sul, visite:


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