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sábado, 3 de novembro de 2012

Em breve, livro sobre esgrima italiana em português



Comunicado do Guro Davide publicado em sua página no facebook:


Em breve (uma questao de poucos dias) publicarei o Volume 1 dos manuais de Esgrima de Adaga.

O projeto é de dois livros, resumindo a parte fundamental das estruturas de treino, o esqueleto geral que rege o trabalho todo, em comum com quase todas as escolas de esgrima popular italianas.

Dos livros sao excluidas as variantes mais especificas de algumas coisas e os estilos tradicionais de lugares particulares, que deixo para trabalhos futuros, enquanto os detalhes e enriquecimento ficam nos cursos, que um livro nunca poderia substituir, e nem um video, pois como è obvio suportes destes sao uteis quando servem de integraçao e de ajuda para lembrar e organizar o que se aprende com experiencias de treino.

Aqui a Seguir eis o Prefacio do primeiro livro, escrito pelo Mestre Maurizio Maltese e traduzido em portugues por mim. Um grande abraço e até breve nos cursos!

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PREFÁCIO

À nobreza sempre foi reservado o direito-dever de carregar a espada. Tal instrumento servia para enfrentar adversários em duelos até mortais, além de constituir o símbolo visível do próprio status. As gentes comuns, pelo contrário, privadas da nobre arma, em cada cultura do mundo sempre se esforçaram para achar soluções alternativas, geralmente adaptando-se a combater usando os instrumentos do trabalho, ou ferramentas agrícolas ou de uso comum. Por este motivo, o duelista de origem popular na península itálica empenhou-se para criar um sistema capaz de transformar em armas funcionais as ferramentas do cotidiano, em particular o bastão e a faca, objetos difundidos e intuitivamente úteis. Foi assim que a faca, sobre a qual este texto trata, tornou-se na Itália a verdadeira e própria Espada do Povo (“Spada del Popolo”). Para chegar a isto, misturou-se no tempo, tanto as estratégias da esgrima, quanto as técnicas surgidas das experiências pessoais dos duelistas. Assim sendo, pouco a pouco, a faca, o objeto mais fácil de se ocultar e carregar, adquiriu entre as pessoas comuns a dignidade marcial tradicionalmente reservada à espada.

Ao preparar o programa de estudo sobre a Esgrima de Punhal de Tradição Italiana que usamos hoje dentro da FISAM foram integrados os conhecimentos derivados de várias fontes, desde a interpretação dos tratados históricos sobre combate que tratam da lâmina curta a partir da Idade Média, até os nossos dias, experimentando e comparando cada coisa que fosse possível com os estilos modernos (olímpicos) da esgrima, e também com os pontos em comum presentes nas artes marciais das ilhas Filipinas, que foram grandemente influênciadas pelos estilos de combate ocidentais com a arma branca durante a época colonial. Foi feito um trabalho de pesquisa e recuperação “no campo”, ou seja foram contatadas várias escolas de combate de origem popular que foram desenvolvidas na Itália do Sul, já que ainda hoje estão vivos exponentes e mestres que guardam os conhecimentos que antigamente eram próprios das sociedades secretas, e que os ensinam. A recuperação da tradição italiana de combate com o punhal (ou a faca) também foi comparada com diversas escolas análogas presentes nos países europeus vizinhos (Espanha, Portugal, França) e, de forma geral, com os estilos que usam a faca na área do mediterrâneo.

Acredito fortemente, por experiência vivenciada, que somente com um estudo multidisciplinar pode ser possível reconstruir um sistema coerente e satisfatório e recuperar uma tradição marcial desse tipo, tão fragmentada e cheia de lados “obscuros”. Procuramos então a maneira de fornecer uma exposição o mais completa possível, analisando o assunto com os instrumentos de estudo e de experimentação dos quais podemos dispor, as fontes históricas e as práticas ainda existentes e ativas. Assim sendo é possível elevar também a esgrima de faca para o status de arte marcial, à mesma altura de outras disciplinas orientais e ocidentais conhecidas e praticadas hoje em dia a nível planetário. Tal conhecimento multidisciplinar permite conhecer e reconhecer uma técnica isolada deste ou daquele sistema, e poder inseri-la num projeto didático que ofereça um quadro geral desta, tanto fascinante, quanto letal matéria, de estudo.

Davide Lupidi assumiu a honra e o ônus de levar esta tradição, apropriadamente organizada pela Fisam, no Brasil. Aparece sempre claramente, falando com ele, que considera este país como uma segunda pátria, um país do qual conhece a língua e no qual viajou muitas vezes. Não lembro de uma única ocasião sequer, na qual não estivesse presente um pouco de Brasil nas nossas conversas, e estou feliz em saber que existem pessoas interessadas em nossas atividades também nessa terra tão longe. A preparação, a dedicação e o conhecimento, seja no plano teórico, seja no plano prático, do prof. Lupidi foram certificados pela Federação dos Institutos Superiores de Artes Marciais (FISAM), e o projeto já existente, a favor da difusão das tradições marciais ocidentais e italianas em particular, está sendo hoje enriquecido por esta publicação na qual tenho o prazer de participar escrevendo este prefácio. Espero muito que este texto seja bem acolhido, e que possa servir para fazer conhecer um pouco mais esta fascinante parte das tradições antigas e modernas da nossa península, fora do nosso país.

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