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quarta-feira, 16 de maio de 2012

JKD e Inosanto Kali: treino ao ar livre no Rio de Janeiro



A primeira coisa que nos vem em mente quando falamos em treino de artes marciais costuma ser um ginásio equipado com tatame, ou mesmo a imagem clássica de lutadores com quimonos e faixas. A infraestrutura dos locais dedicados ao treino de lutas, independente da modalidade, de fato oferece recursos que facilitam a prática do artista marcial. Ainda assim, outro lado da moeda que costuma ser esquecido é a vantagem do treino ao ar livre, em locais públicos, como praças ou parques.


A mais gritante vantagem é a exposição da arte marcial como algo natural, integrado ao cotidiano, não separada por quatro paredes. O efeito sutil dessa contemplação acaba sendo enxergar a arte como parte indissociada da vida: isso vale tanto para o praticante como para o transeunte. As pessoas que treinam, por exemplo, no mesmo parque, tornam-se parte dele, e tornam-se visíveis e acessíveis a um público passageiro que não está especificamente procurando por uma modalidade de luta, mas que pode ter seu interesse desperto.


A aproximação, assim, se torna bastante espontânea. O grupo marcial, naturalmente, não precisa estar restrito ao seu ginásio para ser uma instituição. A proximidade com o público abre portas para um diálogo mais fluido e mesmo para a difusão e democratização da modalidade. Não só o interessado precisa ir até a arte marcial, mas a arte marcial vai até ele, expondo-se e retroalimentando um ciclo de informação e interesse.


A vantagem, também, é na formação daqueles que treinam. A reprodução de um espaço mais natural torna o aprendizado mais espontâneo e realista. Assim como no caso do Kali filipino, que surgiu nas ruas, isso se torna evidente: aprender a se mover em areia de praia ou em terrenos irregulares certamente aproxima o praticante de situações reais. Cair num tatame é muito útil para o aprendizado de uma técnica, mas há algo único em rolar no chão duro, real, de pedras, e a experiência do treino poderia ficar incompleta sem isso. O lutador se torna mais consciente de seus limites e de como superá-los, do terreno, de seu espaço e de suas oportunidades nele. Em modalidades bastante voltadas para a defesa pessoal, como o Jeet Kune Do, essa experiência é muito enriquecedora. Afinal, pode-se usar um galho de árvore ou um desnível no solo a seu favor, mas isso será mais facilmente descoberto pelas circunstâncias do que ensinado formalmente.


Levar a arte marcial ao espaço público, afinal, é mais do que praticar suas técnicas, mas integrá-la à vida. O lutador leva seu aprendizado consigo em tempo integral, então é coerente que a separação entre treino e cotidiano diminua cada vez mais.


Paulo Pereira
Instrutor Kali e JKD

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