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sexta-feira, 23 de março de 2012

Visão geral sobre o Arnis

Artigo originalmente publicado no  site da academia Magka-Isa.


As artes marciais filipinas consistem em modalidades exóticas de luta caracterizadas pelo manuseio de bastões e facas. Como resposta às muitas invasões estrangeiras sofridas ao longo de sua história, as Filipinas desenvolveram uma fantástica tradição guerreira.

A tradição marcial filipina, a exemplo de outros povos do sudeste asiático, foi passada de pai para filho ao longo do tempo. A maestria de técnicas de defesa pessoal era necessária para a proteção própria do povo filipino. Guardar a vida dos entes queridos era a motivação para se tornar um mestre.

Não é possível falar sobre as artes marciais filipinas sem antes falar da história das Filipinas. Para compreender a tradição guerreira de um povo é necessário ter um conhecimento prévio do seu contexto histórico.

O arquipélago filipino é formado por aproximadamente 7.000 ilhas. O povo que habita as ilhas tem uma origem diversificada. Vários grupos étnicos contribuíram para a formação do povo filipino, sendo que a raça mongoliana predomina em todas as ilhas. Além da influência recebida por outros países do sudeste asiático como a Índia, a China e a Indonésia, a cultura filipina foi influenciada também pela Espanha e pelos Estados Unidos.

Por volta do século XIII, os dez Datus de Borneo, cada um com uma centena de homens, chegaram à ilha de Panay na região de Visayas. Alguns historiadores acreditam que Kali, a antiga arte marcial filipina, tenha surgido neste momento.

Kali, a arte das armas das lâminas largas, influenciou profundamente a tradição guerreira das Filipinas. Embora as técnicas originais da antiga arte tenham desaparecido, a sua influência está presente nos mais variados estilo de artes marciais filipinas. Muitos mestres a consideram como a arte mãe de todos os estilos de luta de bastão e faca.


No ano de 1.521, o navegador português Fernando de Magalhães chega às Filipinas no dia treze de março, desembarcando na ilha de Homonhon. O arquipélago foi chamado de Filipinas em homenagem ao rei espanhol Felipe II. C conquistador português, que estava a serviço da coroa espanhola, foi morto no dia 27 de abril de 1.521. Ao tentar dominar as ilhas, Magalhães foi decapitado pelo Datu Lapu-lapu. Segundo historiadores, o algoz de Magalhães era um mestre na antiga arte de Kali. Os espanhóis foram derrotados por guerreiros armados com bastões e lanças. Este episódio é comemorad pelos filipinos até hoje, e é conhecido como “A Queda de Magalhães”.

Com a tomada das filipinas pelos espanhóis que acarretou em 400 anos de domínio, a arte de Kali foi banida. Os invasores perceberam o perigo da arte marcial filipina, a qual se referiam como “Escrima”.

Para burlar a proibição, os filipinos incorporavam os movimentos de luta às danças conhecidas como “Sayau” ou “Moro-moro”. Surge daí o termo “Arnis de mano” (couraça das mãos, devido aos enfeites usados pelos dançarinos). Por outro lado, as artes marciais filipinas também receberam influências da esgrima européia. A mescla das técnicas de luta locais com a esgrima resultou no aperfeiçoamento das artes filipinas que passaram a ser conhecidas por Arnis, Kali, Escrima, entre outros nomes.

As artes marciais filipinas também foram amplamente utilizadas durante o domínio americano que começou com o fim da guerra hispano-americana, quando as ilhas passaram para o domínio dos EUA.

O Japão invadiu as Filipinas durante a 2ª Guerra Mundial e conseqüentemente foi organizado um movimento de luta armada com o intuito de rechaçar os invasores. Como nos outros momentos difíceis de sua história, o povo filipino se serviu do seu espírito guerreiro para manter a nação unida, ainda que em meio à adversidade de mais uma invasão estrangeira.

As artes marciais filipinas se caracterizam pelo manuseio de uma vasta gama de armas, sendo que muitas delas eram ferramentas do dia-a-dia como aconteceu com Okinawa quando surgiu o Kobudô. Durante o período da colonização espanhola, o porte de espadas e adagas era proibido, por isso os filipinos converteram implemento agrícolas em armas para enfrentar o opressor europeu.

Entre as muitas armas do arsenal filipino podemos destacar os bastões de 28 polegadas (Yantok) e a faca “Balisong” (faca dobrável também conhecida como faca borboleta). Tanto os bastões como a Balisong são armas versáteis que podem ser usadas tanto em ações ofensivas quanto defensivas.

Além da técnica de armas, os filipinos possuem formas de combate desarmado conhecidos como “Buno” ou “Dumog” (uma espécie de luta-livre). A luta de mão vazia, conhecida também como “cadena de mano” ou “mano-mano” tem como características motrizes socos, chutes, cotoveladas, joelhadas, chaves, torções, arremessos e imobilizações. Os mais variados estilos de arte marcial filipina ensinam a seus adeptos técnicas de combate desarmado paralelas ao aprendizado do manuseio de bastões e facas.

Nos dias de hoje, as artes marciais filipinas também são praticadas como esporte. Há competições na América do Norte, na Europa e na Ásia. São eventos promovidos por mestres como Remy Presas, Rene Latosa e Mat Marinas. Muitos torneios obedecem a regras e os atletas usam protetores e bastões de borracha, entretanto, há mestres que admitem o uso de bastões de rattam e o contato pleno.

A filosofia das artes marciais filipinas se caracteriza pela busca da harmonia do praticante com o meio que o cerca. O guerreiro deve adaptar-se às circunstâncias para poder vencer. Para que a vitória seja alcançada é preciso saber lutar em qualquer situação, mas o verdadeiro guerreiro deve vencer sem lutar, pois como disse Sun Tsu em “A arte da guerra”: “O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”. “Bayanihan”, os espírito de fraternidade e camaradagem, que é uma característica do povo filipino deve nortear a conduta do artnista amarcial, pois todos os estilos se voltam para um estilo e um estilo se volta para todos os estilos (Magka-Isa).

Paulo Burgos
Lakan Guro
Arnis Maharlika
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