Notícias sobre Filipino Martial Arts no Brasil e no Mundo

Post Top Ad

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Entrevista com o Guro Edmárcio Rodrigues






1- Olá Guro Edmárcio, obrigado por nos ceder a essa entrevista. Você poderia nos contar um pouco sobre o seu começo com as artes marciais?
Primeiramente agradeço a oportunidade de está contribuindo com este importante espaço voltado para a divulgação do conhecimento das artes filipinas. A minha relação com as artes marciais começou desde muito cedo, aos sete anos de idade, meu pai era karateca, apesar de ter uma rotina normal como qualquer garoto, meu interesse e brincadeiras sempre incluíam algo sobre luta. Nesta época eu colecionava uma revista em quadrinhos que tinha um herói do kung fu que lutava contra o mal e bandidos, até que um dia meu pai se cansou de ver eu ler essas revistas e disse-me: filho você gosta desse herói? No que eu respondi sim pai, e meu pai disse que o maior lutador de todos os tempos foi Bruce Lee, um grande artista marcial. Fiquei com aquilo na cabeça.
Ganhei minha primeira revista sobre Bruce Lee. Li tudo o que ela continha e passei a sonhar com aquilo. Logo meu pai me matriculou numa escola tradicional de karate, mas tudo que eu lia sobre Bruce Lee falava de Kung Fu, falava de Jeet Kune Do,e não de karate! Um dia saindo da academia, descobri que no meu bairro havia uma academia de kung fu tradicional e fui assistir a uma aula. Percebi então o que era o kung fu, e assim desisti do karate e passei a visitar a academia de kung fu em segredo. O tempo foi passando e... Bem, vou resumir o que aconteceu: desde aquele momento não deixei mais as artes marciais. Descobri sua filosofia física, mental e espiritual, onde assimilei sua forte educação e respeito, treinei e me graduei em alguns estilos de Kung Fu como Shaolin Norte. No Wing Chun treinei em diversas linhagens, até me dedicar ao Wing Tsun. Treinei tudo que tinha em mãos sobre Bruce Lee! Fui um dos primeiros campeões de Sanda (Boxe Chinês) em minha cidade, assim como também de Kuoshu.
Todas as minhas atividades se concentravam somente em artes marciais e no ano de 1998 encontrei um militar que havia tido contato com o JKD e foi onde pude começar a realizar meus objetivos e sonhos de poder galgar seriamente o JKD e Kali. Em 2000 fui agraciado e reconhecido como instrutor Associado de Jun Fan Gung Fu (JKD), a partir daí fui procurar as verdadeiras fontes. Viajei e treinei artes marciais na Europa e assim me graduei em Latosa Escrima, meu primeiro sistema de Kali, onde pude treinar com Sifu Emin Boztepe e outros mestres. Paralelamente eu obtive conhecimento de Wrestling e sambo. Fui lutador de Mixed Martial Arts na época conhecido como vale tudo, mas no ano de 2002 deixei o campo das competições calçado em uma sólida experiência marcial e vivência e me dediquei totalmente a ministrar aulas e repassar o conhecimento que eu havia adquirido durante anos de prática intensa.
Comecei então a trabalhar na divulgação do JKD e Kali, começando pela minha cidade. Em 2007 comecei então a lecionar o meu sistema de MMA, que antes reunia somente minha experiência, mas com o tempo passou a ser Shooto Combat Systems, influenciado pelo que aprendei com o meu mestre e pelo que vi da Inosanto academy.
Depois de conhecer uma parte do sistema Latosa Escrima, me liguei ao Sifu Salem Assli, aluno direto do guru Dan Inosanto, onde continuei a desenvolver meus estudos de JKD e de Kali, agora no sistema Lacoste, o preferido pelo Guro Inosanto pela sua amplitude e eficácia, incluindo a parte física, mental e espiritual do sistema.
Bom, aqui estou uma pequena parte de minha história nas artes marciais, espero poder ajudar com minha experiência.



2- Sobre o FMA. Como você conheceu essa modalidade marcial? E o estilo Lacoste Inosanto?
As artes marciais filipinas de certa forma estão interligadas a alguns dos conceitos do JKD. Duas coisas distintas, porém com conceitos bem similares e que permitem que uma auxilie a entender a outra.
Estudei primeiramente o sistema Latosa. Posteriormente, comecei a aprender partes do sistema Lacoste, até que pude embasar meus conhecimentos aprendendo com o Guru Salem Assli, que possui mais de 25 anos de experiência além de um bom domínio do sistema Kali Lacoste Inosanto. Acredito que os estudos das artes marciais nunca cessam; quando você acha que sabe de tudo é quando você começa a regredir dentro do conhecimento. Acredito que estarei aprendendo até a hora de minha morte as artes que sigo.



3- Você hoje se encontra associado ao mestre Salem Assli. Como ocorreu essa aproximação?
Depois de ter estudado por vários anos, e de ter pertencido a outra linha de JKD e Kali, resolvi me aproximar mais dos métodos de Inosanto. Foi quando entrei em contato com alguns dos instrutores oficiais e representante da Inosanto Academy. Nesse momento passei a conversar com Sifu Salem Assli e passei a ser seu Coordenador aqui no Brasil, tanto no JKD quanto no Kali. Periodicamente ele vem ao Brasil onde passamos vários dias em treinamento e organização do sistema aqui em minha escola, onde treinamos os alunos.

4- Como foi o início da sua associação no Ceará?
Minha associação começou a uns 10 anos atrás, mas só veio se oficializar há um pouco mais de 5. Trabalhamos duro para a manutenção e divulgação de nossas artes. O objetivo é preservar e manter os reais objetivos e práticas que nos foram legados por Bruce Lee e Dan Inosanto, tanto no JKD como nas artes Filipinas, o Kali.

5- Além de FMA, você ensina outras modalidades como Jeet Kune Do e Shooto. Como você enxerga a combinação dessas artes?
Acredito que todas as artes estão interligadas, nada é totalmente separado do todo. Em nossa escola ensinamos os sistemas em separado sem misturar, pois cada arte segue sua própria programação. Com o tempo, o aluno descobre que é possível fluir de um conceito para outro sem limitação e é isso que se ensina na Inosanto Academy.
No JKD procuramos seguir o curriculum que é o Jun Fan Gung Fu. Muitas pessoas não compreendem que para começar a entender o JKD é preciso conhecer suas bases e fundamentos, que nos foram passados por Bruce Lee, e continuados e evoluídos por Dan Inosanto e seus instrutores.
No Kali, procuramos seguir o conteúdo que é bastante extenso, indo desde o conhecimento de passos, ângulos, trabalho de pés, trabalho com um bastão, dois bastões, técnicas de abaniko, sumbrada, abecedário, sinawalli, contradas, kob kob, pai pai e outros. Depois disso tratamos da parte desarmada que inclui dumog e boxe filipino, deixando bem claro que sempre dentro do contexto da eficácia.
No Shooto Combat Systems, que apesar de ser como o MMA, possui raízes fortes na filosofia Japonesa na parte do desporto de combate, onde o treinamento e condicionamento pesado e que inclui no seu cerne o Thai Boxing, Wrestling, Sambo, Ju Jitsu. Nessa modalidade se desenvolve o espírito combativo e fluidez de uma distância para outra.

6- Como você enxerga o FMA hoje aqui no Brasil?
Minha visão do FMA no Brasil é de uma arte que ainda está engatinhando, principalmente em termos de reconhecimento. Acredito que isso se deva a diferenciação e ao isolamento das organizações e dos professores. Sei que é complicado juntar os profissionais distintos. Além disso, sei que existem muitas pessoas ensinando de maneira amadora, sem autorização nem certificação para tal. De qualquer maneira, acredito que se as pessoas sérias se juntarem e se organizarem terão no futuro o Brasil como um grande pólo de FMA.

7- Na Europa e nos Estados Unidos, existem associações e federações que englobam diversas escolas. Aqui no Brasil essas se encontram cada uma no seu próprio caminho. Qual a sua opinião sobre isso?
Toda associação precisa reconhecer a individualidades das organizações associadas. Cada estilo possui suas próprias regras e diretrizes. Ainda assim, acho que o isolamento total é prejudicial, pois faz com que a arte se perca no tempo, distanciando o reconhecimento das pessoas dos benefícios da prática do Kali seja como auto defesa, como cultura ou arte e disciplina. Na minha opinião os professores sérios deveriam se juntar e combater os falsos professores, e não somente divulgarem suas teses e estilos, mas sim divulgar a arte do FMA no total.
Aqui no Brasil existe algo muito ruim e negativo que é um professor não atestar o profissionalismo um do outro, nem mesmo o recomendar. Acho que deveria acontecer exatamente o contrário, ou seja, todos deveriam se ajudar e atestar a veracidade de cada linha e mestre.
As pessoas são livres e possuem livre arbítrio para escolher com quem e onde devem treinar e seguir, essa é minha opinião.

8- Sobre FMA e Defesa Pessoal, qual a sua opinião?
Ao meu ver, todos os sistemas contribuem para a auto defesa, embora alguns sejam mais direcionados para a defesa pessoal. Mesmo quando falamos de arma de fogo, os sistemas de FMA podem ser muito útil como defesa pessoal e sobrevivência, deixando bem claro que hoje este não é mais usado como antigamente onde era usado para guerra. Mesmo assim acredito que em determinadas situações uma pessoa com tal conhecimento possa se sair muito bem, afinal, que melhor para manejar uma faca ou um facão do que um praticante de FMA?
De qualquer maneira, não devemos nos limitar a esse modo de pensar. Temos de ter em mente que há uma série de fatores judiciais que a utilização de uma determinada técnica pode vir acarretar. Acredito que com o aumento da violência no país, a tendência é que a busca por auto proteção cresça.
As artes marciais e o FMA são um sistema completo, mas que não se limita somente a defesa pessoa tendo outros aspectos pessoais também.

9- Muito obrigado por colaborar com o nosso blog! Gostaria de passar alguma mensagem para os nossos leitores?
Agradeço a oportunidade e atenção. Espero estar contribuindo fortemente para o conhecimento das artes filipinas no Brasil. Estamos à disposição de todos que tenham bom coração e que queiram ingressar em nossas grandiosas artes.
Muito obrigado!

Um comentário:

  1. Parabéns pelo seu sucesso, do seu amigo mungegue, abraços, Ricardo.

    ResponderExcluir