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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Entrevista com Guro Marcus Salgado


1- Olá Guro Salgado! Muito obrigado por nos conceder essa entrevista. Você poderia começar falando um pouco sobre você e contando como foi o seu início com as artes marciais?
Sou eu quem agradece o convite! Sou enfermeiro, com especialidades em acupuntura e estomaterapia, intensivista por prática, e atualmente sou estudante de mestrado. Iniciei minha prática nas artes marciais há 22, quase 23 anos atrás, em 1988 com meros seis anos de idade, praticando tae kwon dô. Posteriormente pratiquei karatê e capoeira, mas só passei a me dedicar realmente em minha adolescência. Apliquei-me ao estudo e pesquisa de todas as artes marciais as quais tivesse acesso. Nessa fase migrei para as artes marciais chinesas, modalidade na qual fui competidor.

2- Bacana, e como foi o seu início com as Artes Marciais Filipinas?
Realizei meu primeiro treino em kali Silat em 2000, no entanto, compromissos profissionais não me permitiram praticar. Em 2005 assisti ao primeiro torneio de contato pleno em Niterói. Desde então não tive mais desculpas, era uma arte muito diferente de tudo que tinha praticado, já que era contato pleno com bastões reais! Dei um jeito de treinar, tornando-me discípulo do MasGuro Paulo Albuquerque. Treinei todo o tempo que pude, em todos os lugares – Eu seguia de moto com o mestre por toda a cidade, treinando com iniciantes e graduados. Os primeiros anos de treino foram extremamente intensivos e cansativos, mas, valeram à pena!
3- Além do Kali, você também é praticante de KungFu, não é?
Sim, pratiquei alguns estilos diferentes e graduei-me como Sifú (professor faixa-preta) no ano de 2000, sendo representante da escola Tai Chi Sanshou (Ms Wu Chao Hsiang), competindo até o ano passado na categoria de sanshou (livre inter-estilos), sendo campeão estadual.
4- Você enxerga pontos de tangencia entre ambas as artes?
Sim, a China, como centro cultural da Ásia, influenciou muitas artes de países deste continente. Algumas características acabaram sendo mais marcantes no silat, via comércio com a indonésia, de modo que existem técnicas mistas bem conhecidas como kung fu silat e kunTao silat.
5- Você também pratica alguma outra arte marcial? Como elas se completam?
Possuo graduação intermediária na espada koreana ,o Gumdô, também pratico BJJ (Behring jiu jitsu). Além disso possuo a graduação de faixa preta em Kombato (mas Kombato não é arte marcial rsrs).Praticando muitas artes por estudo e paixão pelo que faço, procuro aprender sobre suas estratégias dentro da teoria de cada técnica. Ao FMA, isso é muito bom, pois não me atendo a regras, aprendo a lutar em qualquer distância, sem categoria de peso, estando armado ou não, estando de pé ou em submission, só ou em grupo. Nada se joga fora, pois conhecendo a estratégia de combate das FMA, a simplesmente pegar o que serve para mim no determinado momento e a usar.
6- Além de praticante, você também é professor na academia X-Triker do Recreio. Qual o tipo de público que você costuma ver na sua academia em busca do FMA?
Tenho um grupo forte de jovens, mas também tenho senhores. A busca deles é por uma técnica marcial não esportiva. Uma arte mais "hardcore" onde podem aprender a lutar de muitas formas diferentes com inteligência, objetividade e principalmente, uma rápida eficiência , o que é algo que só o treino com armas pode proporcionar. Tudo isso, claro, embasado em uma rica filosofia de vida como guia.
7- Um tema que anda sempre em alta, é a questão da proteção pessoal como motivador para as artes marciais. Como você enxerga essa questão?
Artes marciais nascem em momentos históricos específico, tendo sua eficácia para aquele grupo naquele determinado contexto. Artes marciais significam artes de guerra e não de sobrevivência. Sobreviver é chegar são em casa, enquanto partir para a guerra é arriscar tudo (vida, família, liberdade...). Apenas saber como derrotar o inimigo não garante salvar a sua vida, já que existem fatores como a legislação vigente, avaliação de riscos, etc. Logo, conhecer uma filosofia de segurança é muito mais útil para proteção, pois provavelmente isso é que te livrará de ter que chegar ao combate.Em minha experiência pessoal, sobrevivi a uma ameaça de faca por reagir. Além disso, tenho assegurada minha liberdade por duas situações (uma delas, bem recente) nas quais não reagi fisicamente contra uma ameaça de agressão, mesmo estando preparado para tal caso fosse necessário. Isso chamamos de "gerenciamento de comportamento agressivo", que significa saber pesar o que vale apena e até onde se pode ir mesmo em caso de defesa. Isso é importante e não aprendi em nenhuma arte marcial, e sim no kombato.
8- Muito obrigado pela entrevista, você gostaria de deixar alguma mensagem para os nossos leitores?
Fico muito feliz com o desenvolvimento das FMA nos últimos anos, e este blog é uma prova disso. Continuem acompanhando as matérias, treinando, compreendendo a filosofia do caminho do aço e a transformando-a em uma prática pessoal, pois assim terão um tesouro por toda a vida. Mabuhay!

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