Notícias sobre Filipino Martial Arts no Brasil e no Mundo

Post Top Ad

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Educando para a Vida

Texto enviado pelo mestre Hebert "Dada" Inocalla, sobre o livro Filipinas: História e Artes Marciais.

Diversidade é a lei da natureza. Tudo se repete, renova e se transforma. Como o autor Tales Vasconcellos explicou, nós, filipinos, passamos por grandes mudanças, tanto de natureza políticas quanto religiosas e sociais, porem sempre nos mantivemos na busca do mesmo ideal: a liberdade – a felicidade de ser livre, seja do invasor , seja de nossa própria ignorância pessoal. Para tal, tivemos de lutar, para sempre progredirmos nos aspectos físico, mental, emocional e espiritual.

Para nós, as FMA, as Filipino Martial Arts ou Artes Marciais Filipinas, sejam elas chamadas de Arnis, Kali ou Eskrima, nos ajudaram a manter nosso senso de identidade enquanto filipinos. Essa é uma forma que encontramos para educarmos nosso povo, ensinando uma lição que as permita enfrentar o mundo como uma arena, não só de luta, mas também de crescimento.

Podemos enxergar o modo como o FMA opera, através de um velho exemplo, sobre como a mãe águia educa seu próprio filhote. No inicio ela da comida na boca do filhote, depois ela o ensina a voar. Depois de aprender a voar, o filho aprende com sua mãe como fazer para caçar sua comida. Caso o filhote não aprenda a voar, nem a caçar, ele se tornará a comida de outros predadores.

Assim é o FMA: simples, objetivo e eficiente, com um alvo definido que é a sobrevivência e o aprendizado com o meio. Dessa maneira, nossas artes marciais servem tanto para pessoas fracas e muito fracas quanto para as fortes e as muito fortes.

Ao contrário de outras artes marciais tradicionais, nossos treinos começam com armas. Labang Laro, que é o treinamento de 1 bastão, Sinawali, 2 bastões, Balisong, faca, Espada e daga, bastão e faca, além de armas improvisadas. Depois disso temos as lições de Panantukan, Mano Mano, Tapi Tapi e Sikaran, ou seja, mãos vazias com chutes e socos. Por fim temos o treinamento de Dumog, projeção e imobilização com e sem armas.

Nesse meio tempo, ensinamos no FMA a prevenção e a negociação. Aprendemos e ensinamos a correr e a lutar de diversas distâncias. Aprendemos agarramento em pé e no chão. Por fim, aprendemos a usar as palavras mágicas para nunca se entrar em um conflito: muito obrigado, com licença, sinto muito e desculpe. A FMA, arte marcial Filipina, é lúdica e educativa. Pode ser utilizada tanto no ensino de Educação Física em colégio, quanto no treinamento de forças de segurança, como de fato acontece nas forças armadas das Filipinas. O FMA não é exclusivista, de maneira que também complementa outras modalidades de combate e de artes marciais.

Paz não significa a ausência de conflito.

Espero que este livro ajude a colaborar na educação e na construção do conhecimento, pois só assim aprenderemos a olhar aos demais como parceiros, e não como inimigos.

Um comentário:

  1. Sensei Dada nos faz uma boa introdução a um livro que busca nos mostrar uma faceta distante e pouco conhecida por nós, como é a face filipina.
    Quando a olhamos de perto, porém, se descortina um certo reconhecimento.
    Os filipinos parecem, ao menos fisicamente, com nosso rosto caboclo.
    Quem sabe se olharmos mais de perto ainda, não veremos singularidades muito próximas de nosso trejeito tropical.
    Miguel.

    ResponderExcluir