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domingo, 28 de novembro de 2010

Entrevista com o MasGuro Paulo Albuquerque

Tão importante quanto entender e conhecer o FMA (Arnis, Kali e Escrima), é conhecer as pessoas que trabalham para que essa modalidade de arte marcial cresça em nosso país. Para tal, passaremos a publicar periodicamente, entrevistas com grandes mestres e praticantes de diversos cantos do Brasil. Para inaugurar nosso espaço (que poderá ser acessado pelo link no menu acima) convidamos o mestre Paulo Albuquerque, do Kali Silat Brasil, para uma entrevista.
Aqueles que acompanham o nosso blog, já devem conhecer o MasGuro Paulo Albuquerque, fundador de Kali Silat Brasil. Mestre Paulo foi discípulo do Tuhon Greg Alland, fundador do Kali Silat Sina Tirsia Wali. Com uma longa experiência nas artes marciais, mestre Paulo hoje colhe os louros no comando de sua organização.
P.: Olá mestre Paulo! Muito obrigado por conceder essa entrevista para o nosso blog. Bem, acho que antes de tudo, você poderia contar como foi seu primeiro contato com as Artes Marciais?
Em casa, aos 5 anos. Meu pai foi bi-campeão carioca de boxe amador nos “Jogos universitários”, e sempre treinava comigo, eu tinha uma luva e tudo. Mas em academias, etc aos 8, com Jiu-jitsu, diretamente com o Mestre Francisco Mansur “Chico”. Mas se você levar em consideração armas de fogo, sempre tivemos armas em casa, e aprendi a respeitá-las desde cedo. Meu avô foq secretários de segurança, e ambos eram praticantes de tiro. Meu avô era campeão na modalidade, e foi assassinado com um tiro na cabeça, covardemente. Era jornalista. Nos anos 49/50 a política no norte do pais era assim.
P.: E seu contato com as Artes Marciais das Filipinas?
Aos 18. Eu fazia Kung Fu há 6 anos. O Mestre Greg Alland estava no Brasil, de passagem pela primeira vez, através de um convite do Luis Bonfá, que era brasileiro, mas se formou como instrutor com ele em Nova York. O Greg deu uma demonstração na academia JOP. Isso foi em 1986. Como o Luis nunca deu aula em academias, mas apenas particulares, e foi ate parte do currículo, fui o primeiro a trazer o Kali para o Brasil.
P.: Como foi sua aproximação com o mestre Greg Alland?
Nos primeiros dias que ele passou aqui, muita gente queis fazer aulas particulares com ele. Mas comparado as demais artes marciais, a coordenação exigida no Kali, é complexa, e isso criou uma dificuldade para muitos. E a turma foi reduzindo rapidamente até ter apenas quatro: eu, o Luis, Wander e Marcos Vinicius Monteiro Neves. Depois apenas eu, o fanático. O que teoricamente teria sido uma pena, mas pelo menos para mim foi ótimo. Aulas particulares com o Senhor Paul Greg Alland.
P.: Como surgiu o Kali Silat Brasil?
O Kali Silat Brasil é Sina Tirsia Wali, a escola do Tuhon Greg, que ele fundou junto a outros mestres. No Inicio, em 1986, eu treinava Pekiti-Tirsia Arnis de Mano. Depois em 91 treinei Doce Pares, Pangasinan, Lankha empat - mas ai eu ja morava nos EUA. Sempre treinei com o Greg, mas cheguei a fazer poucas aulas com outras pessoas, de outras escolas (Pangasinan), e nunca, mas nunca era a mesma coisa. Greg sempre foi uma pessoa amiga, bom conselheiro, e fácil de lidar. E que levava o Kali a sério - não era o padrão “MacDojo”, bem comum nos EUA. Infelizmente o brasileiro tem o péssimo hábito de copiar os hábitos ruins de alguns paises estrangeiros, sem copiar o que é bom. E por isso, já existem os “McDojos” aqui no Brasil também. Existem diversas artes marciais que dão cursos de formação de faixa-preta em 1 semana, e até um que dá a preta em cursos de 48 horas. Nunca vou dar uma faixa-preta a nenhum aluno que não mereça, e nem em cursos de 1 mês. Isso é ridículo.
P.: Hoje no Kali Silat Brasil há uma graduação em faixas, e após a faixa preta há as especializações. Como surgiu a idéia de organizar a escola dessa maneira?
Para eu realmente terminar os estudos da escola toda, todas as armas e possibilidades, eu levei 25 anos - na verdade, estudei com o Tuhon muito mais que o Sina Tirsia Wali. Como disse, estudei diversas escolas com ele. Nas Filipinas é comum se treinar diversas escolas. Existem cursos de até uma semana para aprender os rudimentos do Kali. Talvez tivesse levado menos tempo do que estes 25 anos se eu continuasse nos EUA, treinando com o Greg sempre. Mas infelizmente o Kali nunca foi uma luta organizada, e isso atrapalha muito o crescimento - mas estou lutando para mudar este quadro. Funcei uma federação de Kali, e com a autorização do Tuhon Greg, criei as graduações apenas separando a matéria pelas faixas. Levei algum tempo balanceando isso. A idéia das especializações foi para dar chance do aluno ter o que ele quer. O Kali Silat Brasil é Sina Tirsia Wali, 100%. No entanto, existem no currículo algumas coisas que o Tuhon não ensina mais, que eu preferi manter e ele autorizou.
P.: Hoje em dia o Kali Silat Brasil conta com instrutores certificados em diversas cidades espalhadas pelo Brasil, além disso, a escola vem conseguido trazer de maneira periódica grandes mestres como o próprio Greg Alland, Dennis O´Campo e Jerry Jacobs. Você considera isso um sucesso para escola? A que você atribui esse sucesso?
Paradoxalmente eu atribuo o sucesso do Kali ao Kombato, sistema que levei 11 anos para desenvolver, e continuo trabalhando em cima. Eu dou aula de Kali desde 1996. Mas aqui no Brasil, as pessoas não têm tradição nem interesse pelas armas. É só ver que existem poucos praticantes de esgrima, Kendô, Kobudô. Mas veja, por exemplo, Jiu-jitsu: uma academia em cada esquina. Em 1999, quando o Kombato foi para as academias, 3 anos depois, logo de inicio eu tive muitos alunos, e pude mostrar como é bacana trabalhar com armas. Armas te dão uma excelente noção de distância, movimentação, coordenação. A partir dai o interesse das pessoas aumentou, e pude tornar o Kali viável também.
P.: Você poderia comentar um pouco sobre seu último lançamento, Kali Silat Sina Tirsia Wali Volume 1, pelo Clube dos Autores?
É o meu segundo livro, porém o primeiro de Kali. A idéia por trás deste livro é auxiliar os iniciantes. É a matéria da faixa-branca. Ninguém aprende mesmo por livros, só os muito bobos creem nisso, eu publiquei este volume para poder divulgar o Kali e ajudar os alunos, solidificando a organização do estilo.
P.: Quais são as próximas metas, suas e da escola?
Aumentar a quantidade de torneios de Kali, solidificar as regras que desenvolvi que são bem mais reais que as demais, permitindo que o Kali seja um esporte inteligente de competição. Ter torneios de faca, dois bastões etc. Futuramente torneios de Panggamut e Silat.
P.: Cada vez mais vemos pessoas comuns se engajando na pratica das artes marciais, buscando maior confiança em habilidade para se defenderem no mundo atual. Como você vê as Artes Marciais Filipinas nesse contexto?
As artes marciais atualmente não são auto-defesa. Nem eu nem a grande maioria dos autores de segurança considera o uso de artes marciais tradicionais como defesa. O cidadão comum confunde muito as coisas. O Kali é uma arte marcial muito, mas muito bacana, a única que continuo praticando até hoje depois que fundei o Kombato. Vou praticar Kali até o fim dos meus dias. E meu filho provavelmente também. Mas Kali não é para defesa pessoal. Usar o Kali para isso é falta de entendimento do que o Kali é, e das leis do país. Além disso, o fato do Kali ser algo antigo não garante que ele funcione para os dias atuais. De outra forma, não estaríamos usando internet hoje, mas sinais de fumaça. A maioria das artes marciais hoje se tornou esporte justamente para poder manter as técnicas vivas, e a tradição. Meu mestre concorda comigo, o que é fundamental!
P.: Por fim, gostaria que você nos desse a sua opinião sobre o blog e mandasse uma mensagem para os nossos leitores.
Eu fiquei surpreso, admito quando vi este blog. Mostra que as pessoas tem se interessado muito pelo Kali. E isso é maravilhoso. Um novo caminho está surgindo.

Ligações Importantes:

Sítio Oficial do Kali Silat Brasil

Livro no Clube dos Autores

Kombato

3 comentários:

  1. Kali não serve para defesa pessoal?
    Por que? Porque usa bastões e facas?
    Se assim fosse, as armas de fogo (maior poder vulnerante) não poderiam ser usadas em legítima defesa, o que, obviamente, não faz o menor sentido.

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  2. Que absurdo, o que estou lendo neste "site"!
    Como têm coragem de dizer uma coisa dessas:
    - "As artes marciais atualmente não são auto-defesa. Nem eu nem a grande maioria dos autores de segurança considera o uso de artes marciais tradicionais como defesa";
    - "Kali não é para defesa pessoal. Usar o Kali para isso é falta de entendimento do que o Kali";
    - "O fato do Kali ser algo antigo não garante que ele funcione para os dias atuais."?
    Rapaz, esse cara aí é realmente um mestre de Kali???
    Então, digam isso a qualquer filipino! Informem essa novidade às forças armadas da Índia também: http://www.youtube.com/watch?v=K0D4YkjuzbM
    Que piada!
    :P

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