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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Entrevista com o Guro Daniel Villela

Continuando nossa série de entrevistas, hoje falaremos com o Guro Daniel Villela, faixa preta de 2o grau do Kali Silat Brasil, e um dos alunos mais antigos do MasGuro Paulo Albuquerque. Daniel trabalhou junto com seu professor no livro Sina Tirsia Wali Volume 1, além de estar presente na organização dos últimos seminários que aconteceram na cidade do Rio de Janeiro.

Olá Guro Daniel! Muito obrigado pela entrevista para o nosso blog. Antes de começarmos a entrevista, você poderia falar um pouco sobre você e sobre o início do seu contato com as artes marciais?

Olá, senhores, e obrigado pelo convite. Bom, eu sou Daniel Villela Runkel de Sousa, tenho 23 anos e sou recém-formado em Engenharia Ambiental. Sou discípulo do MasGuro Paulo Albuquerque desde abril de 2004, e também recentemente obtive o 2º Hagdan em Kali Silat Sinatirsiawalli. Sou graduado também em Kombato (Verde 3) e Haidong-Gumdo (Faixa Azul), e entre os treinos faço a moderação das listas de Discussão e de Notícias do Kombato e do Kali, além de produzir e comercializar os Kettlebells, ferramentas funcionais de condicionamento físico utilizadas no treino de Kombato.

Sobre a minha trajetória nas artes marciais, eu tive um primeiro contato com Capoeira, aos 7 anos, e depois com o Jiu-Jitsu, aos 11. Ambos foram curtos e muito dispersos, naquela lógica materna de "esporte pra aprender a se defender".

E sobre o FMA - Kali, Arnis. Como foi o seu contato inicial? O que foi que te atraiu nessa modalidade marcial?

Só aos 17, no último ano do Ensino Médio, é que fui convidado a ver uma aula de Kali, com o MasGuro Paulo, através de uma amiga. De lá pra cá, não parei mais. Os treinos eram em São Conrado, mas logo mudaram pra Barra. Já treinei em Botafogo, no Flamengo, Leblon, Tijuca, e hoje em dia treino no Centro.

Pesquise bastante sobre outros estilos de FMA, entre eles o Arnis, quando comecei a notar a profundidade dessa cultura marcial tão diversa. Fica difícil saber se foi o fato de mexer com armas (de forma tão fluida e natural) ou a incrível didática do MasGuro Paulo que me atraíram mais. Sem dúvida o que me chama mais a atenção, ultimamente, são as influências malaias, do Silat, e a didática do Carenza (parecidos com "kata", do Kali).

Você liderou a organização do último seminário internacional de Kali, em 2009 com o Tuhon Greg Alland e com o MasGuro Dennis O'Campo. Agora você planeja a vinda o Guro Besar Jerry Jacobs. Como você enxerga esses eventos? Quais os benefícios e qual a importância que eles trazem?

Bom, primeiro, eu enxergo como trabalho (rs)! Porém, claro, um trabalho prazeroso, pois eu me beneficio tanto quanto todos os outros participantes. E esse é um dos maiores benefícios de eventos internacionais: além do prestígio de ter o nosso esforço reconhecido por autoridades de fora, aumentamos a moral do grupo, que vem do país inteiro para tais reuniões e seminários. Eles trazem unidade, e no fim, muita satisfação.

Sobre a Federação: você também tem se mantido a frente desses projetos? Quais são seus planos para com ela?

A Federação Internacional de Kali Silat, Eskrima e Arnis de Mano (FIKASEA) ainda é um trabalho em construção, mas, além de promover os eventos intercionais, como o já mencionado Seminário Internacional de Silat, com o Guro Besar Jacobs (dias 15 e 16 de Janeiro de 2011), a FIKASEA tem planos de promover desafios e campeonatos para os praticantes, possivelmente convidando outras escolas de FMA com representação no Brasil. Esse contato é um ótimo caminho de troca, e está na nossa agenda.

Na sua opinião, qual é o público que hoje busca o FMA - Kali e Arnis?

Grande parte da exposição, hoje, está baseada em filmes (muitos arnisadores e eskrimadores se tornaram coreógrafos de Hollywood) e em documentários como "Arma Humana" e "Mestres do Combate". Também percebe-se que o público mais cabeça, ligado a quadrinhos e cultura geek, acaba procurando o Kali por referências nos seus interesses (como o contato de Bruce Lee com Dan Inosanto, e o uso de bastões de Kali pelo Asa Noturna, personagem da DC Comics). Sem dúvida, e com muito orgulho, nosso público é nerd, e em peso.

Hoje em dia, muitas vezes, a grande motivação para uma pessoa adentrar no mundo das artes marciais, é visando a auto proteção. Diversas academias, de diversas artes marciais inclusive trabalham sobre essa perspectiva. Qual sua opinião sobre esse assunto?

Falemos do que conhecemos, é sempre uma boa regra. Vender artes marciais oriundas de um contexto de conflito diferente do nosso, sem testar suas técnicas e observá-las pelo aspecto da nossa lei, não é só leviano, é irresponsável. Talvez a prática de artes marciais realmente te deixe mais consciente e seguro, mas pode acabar sendo um anti-ácido pra quem uma úlcera. Eu prefiro apostar no Kombato como a minha arma de escolha na hora de me defender.

Por fim, muito obrigado pela entrevista, Gostaria de lhe pedir que você nos desse sua opinião sobre o blog e mandasse uma mensagem para os leitores.

Sem dúvida, o blog é uma iniciativa maneiríssima, e que merece nosso reconhecimento. Aos leitores eventuais e aos assíduos, façam perguntas, comentem, dêem sugestões e não parem de praticar! Como diz o MasGuro Dennis O'Campo, só a "prática perfeita leva à perfeição"! Mabuhay!

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