Notícias sobre Arnis - Kali - Eskrima no Brasil e no Mundo

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

00:27

Entrevista com Herbert "Dada" Inocalla


Olá mestre Herbert Inocalla! Muito obrigado por ceder essa entrevista para o nosso blog! Antes de começarmos, você poderia nos falar qual o significado do nome da sua academia, Magka Isa?
Olá Tales. Isa em tagalog significa um, enquanto Magka é todos. Assim Magka Isa poderia ser traduzido em português como “todos por um” ou “todos em um”.
Bacana! Você poderia nos falar um pouco sobre o seu passado? O senhor é Filipino, não é mesmo?
Isso mesmo. Sou natural da cidade de Labo, na província de Camarines Norte, na ilha de Luzon, que fica na região norte das Filipinas. Nasci em uma família com outros 11 irmãos. Nossos irmãos mais velhos eram obcecados por artes marciais. Alguns treinavam Karate, outros Judo. Naquela época, o Arnis não tinha o mesmo brilho das lutas estrangeiras. Ele era visto por nós filipinos, a luta da rua, enquanto o que possuía maior encanto eram as lutas de ginásio, com faixas e kimonos. Era costume na minha família, aos finais de semana, todos os irmãos se juntarem para treinarmos técnicas mistas, juntando principalmente Karate, Judo e Arnis. Ainda hoje, mesmo com alguns dos irmãos já falecidos e outros morando em cantos distantes do mundo, nos reunimos de tempos em tempos para treinarmos.
O seu ingresso nas artes marciais então veio dessa sua ligação de família? Seus primeiros professores foram os seus irmãos?
Sim, porém desde cedo, bancado por meu irmão mais velho, eu trilhei o caminho oficial do KarateDo, treinando com o mestre filipino Orlando Gonzales.
Para você, como Filipino, como você enxerga o papel do FMA?
Hoje eu e meus irmãos ficamos felizes e empolgados com a expansão atual do FMA, a arte marcial filipina. Durante muito tempo, nós filipinos nos perdemos valorizando apenas artes importadas. Hoje temos o Arnis, Kali e a Escrima sendo reconhecidas inclusive como esporte nacional das Filipinas.
Falando sobre seu irmão Shishir, que teve a oportunidade de conhecer a família Presas e treinar o Modern Arnis ainda jovem, quando então abandonou tudo para se tornar Monge com o mestre Shri Shri Anandamurti. Como foi isso?
Ele [Shishir] não só gostava de artes marciais, como se sentiu tocado pelo conhecimento espiritual proporcionado pela prática da yoga. Ele então se tornou monge, e durante algum tempo viveu na Índia. Depois dessa experiência, passamos a exercitar a prática marcial sob a luz de um conhecimento transcendental, visando o fortalecimento de um ser completo, exercitando o físico, o mental e o espiritual. Dentro do ser humano, existem diversas facetas, que se não forem trabalhadas, de nada auxiliaram a mente. Do que adianta treinar apenas o lado físico, se você não tiver um preparo emocional? Temos de equilibrar todas essas facetas dentro do ser humano.
Essa então que seria a grande inovação do Arnis Maharlika/ Inocalla System, que seria unir o conhecimento do Modern Arnis, com essa bagagem de conhecimento que você e seu irmão trouxeram desse período como monges na Índia?
Precisamos buscar uma nova forma de edução para as pessoas. Ilustrando um exemplo, da mãe águia, que primeiro leva comida até a boca do filhote. Depois disso, ela ensina o seu filhote a voar, as vezes tendo de dar um empurrão nele para fora do ninho. Após isso, ela ensina ele a caçar sua própria comida. Caso ele não aprenda a voar e a caçar sua comida, ele se tornará comida de outros animais. Sempre há predadores. Com a arte marcial é a mesma coisa. Com o FMA podemos trabalhar para o desenvolvimento desse ser completo. Aqui aprendemos a ganhar determinação, coordenação motora, reflexo, firmeza, paciência, persistência, qualidades que todos temos mas que nem todos cultivam, perdendo tempo treinando apenas o lado material e esquecendo o espiritual.
Normalmente quando as pessoas olham para escolas que mesclam arte marcial e treinamento interior, espiritual e tal, pensam que encontrarão apenas exercícios que subjugam o lado físico. Em suma, pensam que será apenas ginástica. Você discorda disso?
Sim, o FMA que ensinamos possui uma dinâmica simples e adaptável, de modo que ele serve tanto para as pessoas fracas, e muito fracas, quanto para as pessoas fortes e as muito fortes. Ela inclusive é perfeita para defesa pessoal, pois é simples e eficiente, já que com pouco tempo de treino você já consegue esboçar uma ideia de como fazer para se defender. Nosso objetivo ao treinar o lado interno, não é esquecer o lado físico, e sim ensinar a pessoa como afrontar seus medos, sua falta de coordenação motora, preguiça... fraquezas mentais, inimigos internos que todos temos. Dessa maneira ajudamos até mesmo na prevenção, por exemplo, do stress, resultado da vida sedentária que acabamos levando nos dias de hoje.
Uma pergunta difícil, qual a relação que você vê entre o Brasil de hoje e as Filipinas?
Eu sempre digo que o Brasil é como as Filipinas, só que de maior tamanho. As Filipinas por sua vez são como o Brasil, só que diminuto. Olhando a história de ambos os países, vemos muitas semelhanças, não só na dominação européia, como também na luta dos povos nativos contra a discriminação, a pobreza e a falta de liberdade. Por essa semelhança, que eu acho que o FMA tem muito a colaborar com os brasileiros, que são mundialmente conhecidos pelo seu gosto pelas artes marciais.
Por fim, o que você achou do nosso blog?
Muito bom! O blog esta muito bom, aberto, o que eu acho que colabora mais para que as pessoas conheçam mais sobre arte marcial filipina no Brasil. Espero que o blog continue a crescer, pois ainda há muita riqueza a ser mostrada. É um conhecimento com o qual poderemos colaborar para um mundo melhor.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

domingo, 28 de março de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

13:16

Entrevista com Guru Besar Jerry Jacobs

No próximo mês, o Rio de Janeiro irá receber a ilustre visita do grande mestre Jerry Jacobs, da escola PCK International. Para antecipar um pouco do que os praticantes brasileiros aprenderão, convidamos o mestre para uma entrevista em nosso blog. Lembrando, aqueles que ainda não tiverem feito sua inscrição, as vagas no seminário estão acabando! Fale com o Lakan Guro Daniel e garanta a sua vaga!

1 - Olá Mestre! Obrigado por nos conceder esta entrevista. Poderíamos começar com você contando um pouco sobre si e sobre o seu início nas artes marciais?

Disponha! Comecei meu treinamento em artes marciais aos 10 anos de idade (cerca de 27 anos atrás) na arte do Karate. Quando adolescente passei a estudar Boxe Ocidental, Kickboxing e Kenpo Karate (ganhando o meu Nidan, fiaxa preta 2 º dan) em 1994. A partir daí comecei minha jornada em Jeet Kune Do, Kali / Eskrima, Muay Thai, Wing Chun e Tiro ao mesmo tempo. Eu sou muito grato a todos os professores que tive nesses primeiros anos. JKD me colocou no caminho de explorar as artes marciais, o que me colocou no caminho do guerreiro filipinos e indonésios. Comecei meu treinamento sério dessas artes em 1995.

2 - E como foi seu primeiro contato com o Silat?

Meu primeiro professor de Pencak Silat tradicional foi o Guru Besar Jeff Davidson de Detroit, Michigan. Estudei com ele na arte de Pukulan Cimande Pusaka e Kali Pekiti-Tirsia por 5 anos, cerca de 4-6 horas por semana. Eu também treinei simultaneamente com Pendekar William Sanders, em Pukulan Cimande Pusaka, por cerca de 13 anos, até alcançar o posto mais alto que ele tinha para conceder, o título de "Guru Besar" Master e também foi dada a Prêmio Black Naga, o maior prêmio na arte.

3 - E como foi seu primeiro contato com as artes marciais filipinas?

Meu primeiro contato com as artes marciais filipinas foi com os meus professores de JKD Herb Tanton Jr. e Paul Bonner. Ambos foram certificados por Rick Faye e Dan Inosanto nas artes marciais filipinas. De lá, treinei com o Guru Besar Jeff Davidson em Pekiti-Tirsia Kali por muitos anos. Durante este tempo, aprimorei meus conhecimentos através da formação com mestres como Dan Inosanto, Faye Rick, McGrath Bill e mais, finalmente com o MasGuro Greg Alland.

4 - Alguns autores afirmam que Kali e Silat são na verdade a mesma arte marcial. O que você pensa sobre isso?

Elas são muito similares, mas já foram mais próximas do que são hoje. A principal diferença está em sua metodologia de treinamento. No Pencak silat tradicional, você começa a treinar nas mãos vazias primeiras, para lentamente avançar até treinamento com armas. Em Kali, essa ordem é invertida. Você começar a treinar com suas armas primeiras, para depois passar a treinar com mãos vazias. Em última análise, a arte do Kali se originou na Indonésia e na Malásia para então ser levado até o sul das Filipinas, onde foi eventualmente chamado de Kali. Então as artes são realmente unas, para o guerreiro Kali Silat.

5 - Quanto ao Mestre Alland, como vocês se conheceram?

Mestre Alland ministrou seminários junto com meu professor Pendekar William Sanders e Jafri Suryadi nos anos 80. Eu estava em busca de professores de Pekiti-Trisia que ainda ensinassem à maneira antiga, mais combativa, que era como eu gostava. Eu senti que PTK havia se tornado muito complicado e que havia perdido o seu realismo. Então, entrei em contato com Mestre Alland e o levei para Detroit. O resto é história =)

6 - O que é a escola "Sina Tirsia Wali" para você?

Eu acredito SinaTirsiaWali do mestre Greg Alland é muito mais realista e fluido do que muitos dos sistemas de PTK de outros professores. Ele se parece muito mais com Silat (minha especialidade). Minha missão é ajudar a promover STW junto com meu Pukulan Cimande Kombinasi Pencak Silat.

7- Como começou o PCK International?

PCK International é a organização mundial que comece no ano passado para promover a Arte Marcial Indonésia Pukulan Cimande Kombinasi Pencak Silat, do qual eu sou o Grão-Mestre atual. Nosso objetivo é estabelecer escolas e certificar instrutores em todo o mundo na arte do PCK.

8 - Quais são os seus pontos de vista sobre a relação entre artes marciais filipinas e autodefesa?

Na minha opinião, as artes marciais das Filipinas e da Indonésia são as melhores artes marciais do planeta para a Auto-Defesa!

9 - Muitas escolas têm adotado faixas coloridas influenciado por costumes japoneses, como forma de medir o progresso do aluno. Na sua escola é diferente. Qual o método que você usar para verificar esse progresso?

Sim, a nossa escola é mais tradicional, nós não usamos o sistema de faixas japonês. Nós temos três faixas [sashes - faixas, porém diagonais] de cor (branco, vermelho e verde) que servem para indicar para indicar o aluno (Pelajarn), discípulo (murídeos) e um novo professor (Guru Muda). O Black Sash é concedido para o posto de "guru", que seria professor pleno do PCK Pencak Silat.

10- O que você espera de sua vinda ao Brasil, em janeiro?

Estou muito animado sobre a minha viagem para o Brasil e para compartilhar esta arte de PCK Pencak Silat que me são tão caros. Tenho certeza que será explosiva!

11 - Obrigado pela sua entrevista, você poderia enviar uma mensagem aos nossos leitores?

Obrigado e estou ansioso para encontrar com todos no próximo mês, para um treinamento impressionante PCK Silat. Nos vemos lá!